“Weekend report”
Les Aventures de Tecas, le Texas ranger
Mafia
Não fazendo parte do relato do fim-de-semana, começo por contar a primeira tentativa de arranjar uma casa mais agradável que o hospício (cada dia percebo melhor o porquê desta nomenclatura). Através de uma mailing list, soubemos de uma casa (entre a residência e a universidade) por um preço convidativo e dimensões consideráveis. Lá fomos para a visitar. O tipo da agência chegou atrasado (hummm suspeito). A casa era muito boa, com o importante pormenor de ter soalho de madeira, em vez da maravilhosa alcatifa dos nossos actuais aposentos. Alway look at the bright side of life: pelo menos não tenho alcatifa na casa de banho, O.K. mas também não tenho banheira (*). Continuando, vista para um parque infantil... Too good to be true. Ah pois é! Quando tentámos saber pormenores do contrato, se a minha vizinha Búlgara podia ter permissão de residência (obrigatória para pessoas de fora da comunidade europeia), o senhor começou a torcer o nariz, a perguntar se o director da agência não nos tinha explicado as “condições”. Népias. Perguntei que garantias tinhamos e levei com um “a minha palavra” como resposta. Nos tempos que correm e numa cidade de manfios, que vale a palavra de um desconhecido? Para mim, muito muito pouco. Os últimos vandalismos na parte Erasmus (o lado dos “apartamentos” é mais calmo) da guest house: um frigorífico e uma televisão que voaram pela janela cá para baixo, o elevador a servir de urinol, comida – desde pão a vinho – a serem cosntantemente pedidos emprestadados, provavelmente por um vagabundo que costuma rondar estas bandas e Leidseplein... obrigam-me a não desistir desta luta contra a maré. Devo confessar que não me imaginava a passar por esta situação de alguém desonesto estar a tentar alugar-me ilegalmente uma casa que tinha alugado legalmente. Nem ter de ouvir pormenores (da tanga) que a mulher não gostava da Holanda e agora vivem na Alemanha. Listas de espera de anos para arrendamento (a preços excelentes) é o que dá – um mercado paralelo para aproveitamento dos imigrantes indefesos. Só me deu vontade de ligar para a polícia e fazer queixa. Receio de represálias trouxeram-me de volta a este mundo vil e cruel. “Voltei, voltei... tereretere... voltei de lá, ainda ontem estava em França e agora já estou cá!” (Riscámos esta mailing list dos alvos a atingir.) A minha amiga Zsofia das aulas de holandês e uma amiga dela alemã também andam à procura – talvez seja mais fácil (e barato dá milhões) alugar uma casa maior. Além de ter boas recordações do passado de vivência em apartamentos de estudantes: tartes de maçã, Ally Mcbeal :)
International Cooking Party
A primeira festa de despedida snif snif. Da Live, norueguesa. Como nenhum coleguinha das aulas de holandês tem uma cozinha com forno (**) fomos para a casa do professor. Bem, que maravilha. A rua é uma verdadeira marina, com cheiro a mar e tudo! Por mais 100 euros que os vizinhos, vista para a água. Barco estacionado à porta (pequeno demais para tantos). O pôr do Sol fantástico. Qualidade de vida. Numa das ilhas para lá do Nemo, entre as pontes vermelhas (Patrícia e André: agora já sei onde são!). Começámos com uma entrada Australiana, uma pasta escura, cujo sabor só me fez lembrar salmiaki. A custo lá consegui acabar a tosta barrada com manteiga e o dito, intenso, piteú. A minha expressão facial não engana. Já à mesa, a especialidade Húngara, de nome complicado e esquecido: carne de vitela - “young cow” () - com pasta (originalmente com arroz) e molho fraiche. De seguida, uma receita italiana feita pelo espanhol que lá foi de visita há pouco tempo – risoto champignon. Um prato indonésio pelo casal anfitrião em representação da holanda (estavámos todos curiosos relativamente ao que seria, mas o Hedde resolveu a questão de forma inteligente). Salmão servido em “pão papel” com ovos mexidos à moda da Noruega. Para rebentar, o prato Australiano com picante a puxar para a vinhaça. Sobremesas: tarte de maçã confeccionada pelo namorado da Maria () e panquecas da Alemanha. E perguntam vocês: então e ´Tugal? Eeeee passo a explicar. Me myself era a ajudante de cozinha e a chefe não foi ao jantar. Prometo que para a próxima a nossa gastronomia ultrapassará o belo tinto.
É amor
A Live, que a meio do jantar dizia “vou embora e vocês vão continuar a organizar eventos destes” (quase a chorar), tem de voltar para a Norueguesa para acabar o curso de psicologia. O namorado, também Noruguês, tava cá a tirar Medicina. Como não sou a última romântica à face da terra, ele vai pedir transferência para lá! “I wanna be loved by you, just you and nobody else pepepere” (há cá uns porta-chaves falantes muito engraçados).
Comida Tuga com música Búlgara
No dia seguinte, novo manjar. Chouriço! Queijo amanteigado (“buttered cheese”) e o toque especial do louro. Intercâmbio de música pimba portuguesa (o Bernardo tem todos os hits, desde Ágata, incluíndo “Comunhão de bens”, a Zé Cabra). Conheci os vizinhos dele Búlgaros. Estar numa cadeira de rodas, devido a uma doença muscular, não impediu um deles de vir investigar formas de regenerar tecidos nervosos. Os outros eram os assistentes pessoais, numa fase de passagem de testemunho. Ouvimos grandes êxitos musicais, não nos dando conta quando as letras passavam de bulgaro para grego (ups).
Profissões exigentes
No final do jantar tive oportunidade de conversar com o rapaz que ia agora regressar a casa depois de três meses a prestar assistência. Uma pessoa com qualidades humanas acima da média, que lamentava ter tido alguns atritos. Normal para quem na noite anterior teve de se levantar cinco vezes. Estranho vivermos numa sociedade em que estas pessoas são tantas vezes esquecidas e não têm o reconhecimento devido.
Transportes nocturnos
O Miguel Lavado que está em Nijmegen veio até Amsterdão e, como há pessoas que têm a bicicleta com o cadeado estragado, fomos no último eléctrico. De acordo com as leis de Murphy, este mudou a sua rota habitual e deixou-nos num local que na altura, por não conhecermos, nos pareceu o meio do nada. A nós e a um grupo de Erasmus. Como saia mais barato e não tinhamos de esperar, decidimos fazer o resto do percurso de táxi. Os azares e sortes compensam-se e apesar de não sermos um múltiplo de quatro, apareceu um táxi dos maiores. Percebi que eram finlandeses e ainda consegui dizer uma frase (ahn). Às tantas um deles decidiu dizer ao motorista para não nos levar por auto-estradas (situação pela qual já tinha passado, alguma vez isto aconteceria na Finlândia...) e este picou-se de tal forma que foi muito brutinho (undutchable) quando saímos. Eles foram para o casino para concretizar (?) um sonho. (...) Num Irish onde estava um grupo com cabeleiras a imitar o penteado do Roman (estou à espera da foto via mail), em conversa com uma amiga do Lavado da República Checa que estuda em Paris, pude confirmar os boatos de falta de segurança na capital francesa que já me tinham chegado aos ouvidos. Está lá há 4 meses e já teve dois problemas com tarados, durante o dia! Segundo ela uma bela cidade, mas não para viver. (Como Amsterdão?) O amigo holandês do Lavado era muito exigente em termos de características de “club” – música xpto, pessoas 86-60-86. Passámos a maior parte do tempo às voltas. Bons velhos tempos em que o que interessava era tar com os amigos, mesmo que fosse no café mais xunga. Acabámos num bar tipicamente holandês que passava músicas do vencedor dos ídolos de cá, só ouvido.
Filmes de acção
Incrível como:
- o vento está sempre de frente para que os cabelos fiquem ao vento de uma forma sexy;
- os heróis têm sempre tempo para por óculos de Sol, mesmo que esteja nublado;
- pelo menos uma perseguição de carro e/ou mota garantida, eventualmente com a participação adicional de helicóptero(s) e com muitos carros a explodirem;
- quando o herói se disfarça de outra pessoa (com máscaras pré-feitas claro) consegue imitar perfeitamente a voz do mauzaroco que está a incarnar;
- existem sempre umas transições maravilhosas entre diálogos muito românticos e tiroteios que mais parecem bailado;
- os bons ganham sempre aos maus - neste caso não faz mal, era o Tomás Cruseiro ta-nan-nan ta-nan-nan (ler como banda sonora da missão impossível)
Nota: o texto acima não é de todo incompatível com a minha crítica positiva relativamente ao Kill Bill. Já tenho a escola toda. Foram muitos anos a ir ao cinema com o Miguel Morais ;) Só é preciso tar no espírito.
(*) Banheira, sofá confortável, colchão de molas... – luxos.
(**) Cozinhas com forno e, especialmente, microndas, aspirador, máquinas de lavar... um namoradinho que saiba passar camisas a ferro.
() Uma também muito boa no outro dia foi castanhas = brownies :)
() Pessoa muito interessante, holandês com aparência índia devido à genética paterna indonésia. Compositor, neste momento a trabalhar na banda sonora de um reality show, “ton”, que passa num canal holandês às quartas. Fiquei muito curiosa, depois de ouvir contar alguns episódios. A ideia é apresentar longos períodos (mesmo anos que depois passam em 30 minutos) da vida de pessoas muito estranhas. Verdade exagerada, para quando a importação do formato para pt?
P.S. Peço imensa desculpa por só dizer isto agora mas... dada a extensão do post não levo a mal se for lido às prestações.